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CONTO - SEDUZINDO OU SEDUZIDO - PARTE 2

SEDUZINDO OU SEDUZIDO? 

AUTOR- SÉRGIO SENNA

Nos quinze dias seguintes ela apenas me cumprimentou formalmente e evitou de todas as formas ficar a sós comigo, até os olhares ela policiava, sentia que estava me olhando mas quando olhava ela rapidamente desviava os seus, e aquilo estava me deixando meio que doido, era uma questão sem solução e se por acaso existisse não dependia só de mim. Mas um belo dia, entrei de surpresa na sala dos professores e ela estava lá sozinha, sentada na mesa e com um copo de água ao lado, pequei meus trabalhos e ia saindo com apenas um boa noite quando me chamou baixinho:

- Sérgio, podemos falar um momento?

- Claro, pois não! O que deseja? – Perguntei formal.

- Tem algumas coisas entre nós que estão mal resolvidas. – Ela disse com voz ainda baixa mas com um tesão incontrolável nos olhos. – Desde que aconteceu “aquilo” que minha vida está um verdadeiro inferno, não tenho mais paz pra nada. E agora isso está  interferindo no meu casamento.

- Como assim? – Perguntei surpreso.

- Não estou mais conseguindo me concentrar nos meus deveres de esposa, sabe como é, não sabe?

- Desculpe, não estou entendendo bem, isso que dizer o que mesmo?

- Já sei, você quer que eu explique tintim por tintim. Mas não vou entrar na sua, não vou fazer isso!

- Olha Elaine, melhor deixar o dito por não dito, esqueça, afinal foi só um beijo, sem maiores consequências,

- Ah foi é? Isso pra você, mas pra mim não, teve sim e muita! – Exclamou.

- Não vejo como! Não fizemos nada demais, ninguém viu e não comentamos nada.

- Mas é que depois daquilo não consegui mais ser a mesma, entende?
Ela relutava em esclarecer mas eu queria ouvir ela dizer tudo claramente, queria que dissesse tudo que a afligia, com todas as palavras, e não ia deixar por menos.

- Está dizendo que não está conseguindo trabalhar direito por causa da minha presença? Posso então dizer ao Celso que não vou poder dar mais aulas e me afasto de você. Simples, já estou acostumado a perder.

- Não é isso, é outra coisa e não é aqui, é na minha casa. A minha intimidade com o Rodrigo mudou e mudou muito... Pronto, falei!
- Mas mudou como? Você é a mesma, tá tudo ai, intocada e linda!

- Não faça assim, sei que você tá entendendo, não me faça sofrer mais...  - Falou angustiada.

- Eu fazer você sofrer? Prefiro mil vezes sofrer no seu lugar! Mas tá bom, tá bom,  vamos ser claros um com o outro, o que mudou? Diga, mas sem meias palavras, afinal somos adultos e cultos.

Ela hesitou, levou as mãos aos olhos, apertou-os e novamente esticou os braços sobre a mesa. Finalmente rendeu-se:

- Certo, vou dizer, não consigo mais fazer amor como fazia antes com o Rodrigo, e ele tem notado, semana passada me perguntou o que tava havendo e eu disse que era o trabalho, como ele também trabalha fora as vezes ficamos uma semana ser fazer nada, o que tem sido um alívio pra mim, mas ontem tentei voltar a ser a mesma e não deu certo... Só consegui voltar a... digamos... pegar fogo, quando pensei em você!!! Pronto, disse!

- Deus!!! - Exclamei! – Como pudemos deixar chegar a esse ponto? Não devia ter me dito isso Elaine, porque também estou tendo problemas, não consigo tirar você da cabeça, e olha que tenho feito muita força pra isso.

Enquanto eu falava ia me aproximando dela que continuava sentada, cheguei por trás, segurei bem devagar seus cabelos, senti que ela arrepiou, meti os dedos neles e acariciei sua nuca, fui virando bem devagar seu rosto em minha direção e abaixando fui aproximando meus lábios dos seus, estavam como eu vinha sonhando com eles, úmidos e trêmulos, esperando meu próximo passo.
- Não faça isso comigo... não faz! Por favor... Não faz isso!!!! – Exclamou, mas sem esboçar qualquer outra reação, vencida, trêmula, esperando.

Subi a boca e beijei bem de leve seus olhos, desci até o queixo onde depositei mais um beijo, só depois, bem devagar e com toda a delicadeza de que fui capaz, como eu vinha sonhando em fazer, beijei seus lábios, com ternura, e pus naquele beijo todo o carinho que me consumia há dias, beijava-os como se estivesse sonhando, sugando-os devagar, saboreando seu gosto, provando sua textura... minha mão desceu pra o seio e apertei bem de leve o biquinho que espetava a blusa, senti-a estremecer... Eu vivia o meu grande momento, minhas noites insones tinham sido recompensadas, mas não a queria expor e lentamente me afastei, olhando seus olhos que estavam cheios de lágrimas, ela estava com o rosto erguido como a tinha beijado, vi que duas lágrimas desciam lentamente em direção aos seus lábios ainda molhados do beijo. Beijei rapidamente uma delas mas a outra continuou a descer... Eu tinha provado uma, mas a outra lágrima era dela, lhe pertencia e eu lá a deixei, rolando devagar até a comissura dos lábios. Era o símbolo de uma paixão que lutava pra ganhar o seu lugar, se impor soberana, incontestável e dominadora, nos arrastando no seu fogo e nos consumindo enquanto durasse.

Quase fugindo dali, e respirando fundo pra readquirir o controle pedido, fui pra aula, soube depois que ela havia dito não estar passando bem e tinha ido pra casa, não conseguiu dar aula nesse dia, por dentro eu exultava, tinha conseguido abalar os sentimentos da mulher com que vinha sonhando nos últimos tempos, agora era esperar, só esperar como o caçador que pacientemente sabe que sua presa pode até demorar um tempo longo, mas vai aparecer.
Depois disso, passou a me evitar e eu também não fazia nada pra provocar um encontro que poderia ser constrangedor tanto pra mim como pra ela, pacientemente só esperava, sabendo que mais dia menos dia esse encontro teria que acontecer, e o tempo foi passando lentamente, e eu me consumindo de impaciência. Até que um belo dia estava a concluir uma explicação em sala quando um funcionário foi me chamar dizendo que a professora Eliane me esperava na sala da Coordenação Pedagógica pra resolver um problema.

Meu coração saltou, pois eu pressentia que tinha chegado o grande momento, agora era tudo ou nada, eu tinha dado um tempo a ela para que se analisasse e agora ia saber qual o resultado, se eu tinha ganho ou perdido na grande aposta da conquista na qual o  premio era aquela mulher linda, sensual e cheia de um tesão que não tava mais cabendo dentro dela. Com esses pensamentos me dirigi à sala da Coordenação que eu sabia geralmente deserta e só era usada esporadicamente para reuniões, existia portanto privacidade e eu pretendia criar um clima bem sensual, tudo pra que ela não pudesse radicalizar, caso a decisão fosse contraria a mim, com ela balançando nas suas convicções seria mais fácil dobrá-la e fazê-la entender o quanto tinha se tornado importante pra mim.

Já até tinha a estratégia armada dentro da cabeça, e a pus em prática, se desse certo a vitória era assegurada, Entrei fechando a porta ao passar, coloquei meu material bem na ponta da mesa, tudo num movimento só, sem parar. Ela se encontrava na outra extremidade, sentada e com os olhos abaixados fitando a fórmica, não me olhou quando entrei, e eu pressenti o porque, mas não iria dar chance de que o pior fosse dito, me conhecia e sabia que em certas situações o meu orgulho falaria mais alto, por isso não lhe dei chance alguma, fui direto pra ela, sem pressa mas firme, demonstrando ser senhor da situação e ao chegar bem junto, sem nada dizer, coloquei as mãos em seus ombros pelas costas,  sentia-a estremecer, segurei seus ombros com firmeza e a fui puxando pra cima, fazendo com que ficasse em pé, ficamos colados as respirações se misturando, ela abriu a boca pra falar algo, mas não permiti, a beijei com sofreguidão, enlaçando-a com os braços e apertando-a com firmeza, com pegada, como eu gosto.
Agora é do meu jeito, pensei, chega de meias medidas, agora é como eu quero, da minha maneira, e ali ficamos a nos beijar, perdendo a noção do tempo, com a mão acariciava seu rosto e cabelos, sem ousar muito mais, demonstrando somente o carinho, afeto, e a ternura que me consumia o íntimo. Se desse certo, tudo bem e se não desse, pelo menos tentei. Por isso, quando ela se descolou de mim e tentou novamente falar com a boca ainda perto da minha, eu é que falei:
- Que saudade!!! Não agüentava mais... – E a beijei novamente, com ânsia e paixão. Como estávamos colados, e ela vestia uma saia curtinha, minha pica não se fez de rogada, se encaixou ousada entre suas coxas, ela retribuía ao beijo com carinho, gozando aquele momento que nós sabíamos tão sonhado, enfim um beijo sem pressa, sem o perigo ser sermos flagrados, saboreado, fazia de conta que não notava o volume entre suas coxas, não tomava a iniciativa pra facilitar mas também não tirava, simplesmente deixava ficar ali o impávido colosso, quente, quieto, adormecido naquele ninho macio e aconchegante.
Enfim o beijo terminou e ofegantes, ainda abraçados ela me disse:

- Sérgio, precisamos ter uma conversa séria, por favor!

- Tudo bem! – Retruquei, olhado bem dentro de seus olhos e tentando antecipar alguma coisa. E lhe indiquei que sentasse me sentando ao lado já que ela estava na cabeceira da mesa.

- Não é segredo que você não me é indiferente, e que penso mais em você a cada dia que passa, minha vida se tornou um verdadeiro inferno, um tormento. E não quero que continue assim, não estou suportando mais!

- Nem eu... – Quis interromper pra evitar o que viria, mas ela não consentiu!

- ...  espera Sérgio, me deixa terminar, por favor.

- Claro, claro! – Respondi pressentindo que tinha perdido tudo o que mais desejava.

Nos sentamos, e ela desfiou tudo o que lhe ia na alma, falou das brigas constantes com o marido, por causa da sua irritabilidade e da pretensa compreensão dele, julgando que ela estava assim devido a suas ausências, dos seus tormentos com os pensamentos contraditórios a meu respeito e de que quando se analisava é que notava que não sabia nada de mim, dos seus desejos ocultos do marido e do fato de que ele nem sonhava do que se passava na cabeça dela, que outro estava pouco a pouco tomando o lugar dele dentro dela, que seus pensamentos já não lhe pertenciam e que quando dava por si estava divagando, pensando em mim e que esses sentimentos contraditórios estava até impedindo que dormisse, pois a perseguia até dentro dos seus sonhos.
Não posso negar que exultava intimamente com todas aquelas confissões, mas também estava vivendo um momento de alto grau de incerteza por não saber como tudo aquilo iria terminar, achava que ela estava me contando tudo pra depois me dar o golpe de misericórdia, mas minha surpresa não teve limites quando ela disse que já tinha até pensado em abandonar o marido e a casa.

- Mas porque tudo isso? Não acha que está extremando?

- Não! É que não estou conseguindo viver com tantas interrogações, sempre fui uma mulher bem resolvida, sempre soube o que queria, o porque lutar e não me adapto a esse oceano de incertezas, onde nem eu mesma sei quem sou na verdade. Quando resolvi casar com o Rodrigo minha família fez uma oposição ferrenha, queria que eu fosse pra Salvador estudar medicina, esse era o sonho de meu pai, que eu fosse médica, mas a ânsia do sexo falou mais alto em mim e nesse tempo eu achava que estava realmente apaixonada por ele, todos os homens do mundo estava representada por ele diante de mim. Hoje isso já aparece de um outro modo aos meus olhos, passou o tempo dourado e acabou-se a paixão cega, em apenas três anos me tornei uma mulher madura que até há pouco tempo atrás achava que era centrada e com os pés no chão, e agora vejo que não é nada disso e que não sei de mais nada, nem o que realmente quero, ou sei, mas o que quero é impossível de viver ou imoral. E eu não sou imoral.
- Mas Elaine, não é bem assim, a vida nos oferece algo lindo pra ser vivido e jogar isso fora, não viver, é por demais brutal, é negar tudo o que acreditamos dentro de nós mesmos, é um ato até de violência contra as nossas vidas. Dê uma chance a você mesma, deixe a loucura falar um pouco em você, viva um pouco só a vida, seja louca comigo, apenas por um pequeno espaço de tempo, me deixe lhe mostrar um pouco da minha loucura e como é bom ser um pouco louco!  – Retruquei tentando fazer com que ela saísse daquela linha de pensamentos, e vi que ela hesitou. - Está balançando. - Pensei comigo.
- Mas não é assim que eu vivo! Não estou acostumada a nada disso! Lhe chamai pra ver se conversando a gente chegava a algum ponto e vejo que vou levantar dessa cadeira mais confusa do que sentei e a minha vida que já estava complicada, agora se complicou de vez, isso porque você teima em me mostrar que tudo é possível, que tudo pode ser vivido, que nada é demais, que a felicidade está bem ali, ao alcance das mãos, quando na verdade nada é bem assim e nem tão fácil como você mostra, tem uma série de convenções sociais que nos impede de fazer o que queremos e acaba por nos impedir de viver o que queremos, obstruindo essa felicidade que você fala.

-Vamos fazer o seguinte então, me dê uma chance de lhe mostrar que tudo pode ser feito e vivido com intensidade. Estou lhe convidando pra ficar louca comigo por dois dias, só isso, se não gostar você volta e fazemos de conta que nunca aconteceu nada, mais pelo menos demos uma chance a nós mesmo. O que acha?

- E como você faria isso, caso eu cometesse a doidera de concordar com isso tudo? O que nem de longe passa pela minha cabeça, claro!

- Eu raptaria você, por vontade própria e a levaria pra o Rancho Escondido, por dois dias, só isso.

Ela deu uma risadinha, como se estivesse saboreando a idéia, olhou bem fundo em meus olhos e disse:

- Sem chance, minha condição de mulher casada não permite isso, e mesmo que eu concordasse, você bem sabe que moramos em uma cidadezinha pequena onde o povo fala até do que sonha e do que consegue inventar, veja se dermos algum motivo.

O povo não teria chance alguma nem de ver e nem saber de nada. – Afirmei com convicção e confiança. – Sei planejar bem as coisas, basta confiar em mim! – Queria convencê-la de qualquer forma, mostrar que tudo era possível, plantar a semente da dúvida dentro dela.

E ficamos em um silêncio longo, saboreando a idéia e simplesmente gozando a presença um do outro, sem compromisso com o tempo. De repente ele rompeu o silêncio, e me disse à guisa de despedida.

- Você é louco e está tentando fazer com que eu também fique louca, está querendo que eu embarque na sua loucura e o pior é que está conseguindo, eu já estava até sonhando que certas coisas que você diz poderia ser possível.

E levantando-se precipitadamente arrebanhou suas coisas de qualquer jeito e disparou pra porta sem ao menos se despedir, como se o diabo a perseguisse, e o pior, sem me dar chance de lhe beijar novamente, e era o que eu mais queria. Daí em diante só nos encontramos pelos corredores do Colégio e só nossos olhos se falavam, mas na quinta feira quando estava revendo alguns apontamentos na sala dos professores, ela entrou e disse:

-Boa noite! – Ao que todos respondemos. Então se dirigiu a mim especificamente:

- Prof. Sérgio! Parece que o Senhor deixou o rádio do seu carro ligado! Levantei a cabeça vivamente, pois tinha a certeza de que estava desligado, pressenti algo estranho.

- Obrigado Professora, vou verificar! Disse meio confuso, mas fui ver o que era mesmo.

Ao chegar junto do carro não notei barulho nenhum, mas mesmo assim abri a porta e sobre o banco estava uma folha de papel dobrado, sem dúvida tinha sido jogada pelo dedinho do vidro que deixo aberto, bendita abertura, nervoso e com expectativa crescente, abri e li: “De tanto pensar em você enlouqueci de vez e embarquei na sua loucura. Desejo urgente ser raptada. “Ele” não vem esse final de semana, foi pra Minas Gerais a serviço. O que tenho que fazer pra que o rapto se realize?”

Me deu uma vontade louca de sair gritando pelo Colégio afora, mas me contive a custo e voltei como se nada de importante tivesse acontecido, entrei na sala batendo a folha de papel dobrado nos lábios descuidadamente e assoviando dentro dela, olhei pra ela e agradeci.
Obrigado, estava mesmo ligado! – E sorri. Como o Celso estava também presente, aproveitei a oportunidade e pra que todos ouvissem, pedi:

- Celso, amanhã é sexta-feira, só tenho duas aulas, mas não vou poder vir, tenho que fazer uma pequena viajem de negócios, tudo certo? - Pronto, a pista estava dada e vi que ela entendeu.



- Sem problemas Sérgio. Tudo bem. – Mas enquanto esperava a resposta de Celso já começava a maquinar na cabeça um plano viável de como consegui apanhá-la sem dar na vista de ninguém, arquitetando como iria fazer o “sequestro amoroso” da minha linda donzela, escrevi num papel os primeiros passos que ela teria que dar até que eu pudesse apanhá-la, e no intervalo passei pra ela, vi que colocou dentro do seu caderno de apontamento e leu: “Amanhã as 13:00 hs, sai o ônibus pra Salvador, esteja nele e salte na primeira cidade, daqui a 70 km, chegando lá vá pra Praça Central e me espere diante do Banco do Brasil. Eu a pegarei lá logo depois”. No outro dia bem cedo dei ao vaqueiro as ordens necessárias e disse que nesse final de semana não queria ser perturbado pois um casal de amigos vinha passar a o final de semana comigo e por isso a sua esposa devia deixar comida pronta na geladeira. Tudo isso pronto fui à cidade e preparei os pagamentos da semana. As onze horas já estava no Rancho novamente agora era só esperar o momento de ir apanhá-la no lugar determinada, mas ainda custava a acreditar que isso fosse mesmo acontecer, que ela tivesse concordado com tudo aquilo. Almocei pouco e fiquei esperando pelo tempo e aquele restinho que faltava nunca demorou tanto, a ansiedade me consumia. Por isso quando deu 12:50 não suportei mais e disparei estrada afora.

CONTINUA...
 
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